Arquitetura – Biblioteca Joanina (1728)
O Conde Athanasius Raczinsky, embaixador da Prússia em Lisboa, homem muito culto e colecionador de raridades bibliográficas que guardava em seus palácios, um dos quais viria a ser o célebre Reichstag de Berlim, foi um dos mais conceituados críticos de arte do século XIX. Em suas notas sobre o tempo que viveu em Portugal e as obras de arte que lá encontrou, deixou registrado sobre a Biblioteca Joanina: "la bibliothèque la plus richement ornée que j'aie jamais visitée". Não há exagero algum nas palavras do conde. É uma jóia magnífica da qual a Universidade de Coimbra muito se orgulha e da qual cuida com enorme carinho. Seu início foi semelhante ao de outras bibliotecas universitárias. No século XV, sua sede era em Lisboa. Enviada para o Paço Real de Coimbra, onde o então chamado Estudo iria se instalar, ocupa a sala do guarda-roupa, vizinha à Sala Grande (hoje Sala dos Capelos), passa a ser chamada de Casa do Livro e é confirmada como biblioteca pública. O que não dura muito: com a Reforma Católica do Concílio de Trento, a biblioteca deixa de ser pública, apesar dos sucessivos estatutos assim insistirem. Durante muito tempo, as livrarias importantes eram as dos colégios universitários, como o da Companhia de Jesus ou o de São Pedro, onde os autores e pesquisadores estudavam e se alojavam. 
Foi só no final do século XVII, com a criação dos chamados Gerais Universitários, que a existência da biblioteca de Coimbra seria consagrada. Mas era preciso reformar e ampliar a sala onde se encontrava, em um palácio já com 700 anos! Os livros foram então recolhidos ao segundo andar, à espera do término das obras e nisso se passaram muitos anos até que, em 1716, o reitor se dirige ao rei D. João V e lhe faz ver que ao contrário do que os Estatutos da Universidade rezavam, Coimbra não tinha uma sala à altura do acervo acumulado. Obtida a autorização do rei, foi nesse ano que começou a construção dessa que é, sob todos os aspectos, uma das mais importantes bibliotecas do mundo. Em seu acervo encontram-se “A Bíblia Latina de 48 linhas”, editada em 1462; o “Livro das Horas”, manuscrito com iluminuras, de meados do século XV; “Mensagem”, único livro de Fernando Pessoa a ser editado em vida do poeta, em1934 (o exemplar é conservado na brochura original e tem dedicatória manuscrita do Autor); “Paesi novamente retrovatti”, organizado por Francesco de Montalboddo, impresso em 1507, compila relatos de viagens de descoberta (ou redescoberta) empreendidas por portugueses, espanhóis e italianos. Trata-se da primeira vez que se editou em italiano a terceira viagem de Américo Vespúcio. Inclui um dos primeiros relatos publicados sobre a viagem de Pedro Álvares Cabral ao Brasil. Essa uma das razões do seu sucesso e da sua quase imediata tradução para latim e alemão. Universidade de Coimbra, Portugal Arquitetura - San Lorenzo de El Escorial (1584) 
O Monastério de San Lorenzo de El Escorial é, sem dúvida nenhuma, uma das edificações renascentistas de maior beleza arquitetônica em todo o mundo. A 50 km de Madrid, ao pé do Monte Abantos, na Serra de Guadarrama, e a 1028m de altitude, quando nos aproximamos, impressiona aquele gigante num local que devia ser ermo à época de sua construção. Ocupa uma área de 33.327m²! Idealizado por Felipe II na segunda metade do século XVI como um grande complexo monacal e palaciano, desde o fim do século em que nasceu já era considerado a oitava maravilha do mundo. O que lhe deu essa fama não foram apenas sua beleza e tamanho, mas seu valor como símbolo e guardião da História da Espanha. El Escorial é a cristalização dos sonhos e da determinação de seu criador, um verdadeiro príncipe renascentista. A construção foi iniciada em 23 de abril de 1563 e completada em 13 de setembro de 1584. Lá dentro estão magníficos exemplos de todas as Artes Plásticas ornando a belíssima Basílica, os salões e as escadarias do palácio, a Cripta dos reis espanhóis, as salas capitulares do Mosteiro e, nesta II Semana de Grandes Bibliotecas, o detalhe que nos interessa mais de perto, a Real Biblioteca de San Lorenzo de El Escorial 
Felipe II doou sua coleção particular de valiosos códices para essa estupenda biblioteca; além disso, ele adquiriu bibliotecas completas, estrangeiras e espanholas, o que fez com que seu acervo seja, até hoje, dos mais respeitados entre os pesquisadores e bibliófilos. Numa nave de 54 m de comprimento, 9m de largura e 10 m de altura, estão abrigados 40.000 volumes de altíssimo valor histórico. Pelo conteúdo de mapas, cartas, crônicas, verdadeiros tratados antropológicos e etnográficos relacionados ao estudo das culturas indígenas da América espanhola, a Real Biblioteca é um verdadeiro tesouro, não tanto pela quantidade como pela qualidade dos documentos chamados “Americanistas”. Por ter sido a biblioteca real durante os reinados dos Habsburgos aos Bourbons, ela conserva peças de valor excepcional, sempre sob os cuidados dos monges agostinianos, a quem o Mosteiro foi entregue por Felipe II. O piso é todo em mármore; os globos e a esfera armilar são peças que foram usadas para o estudo das viagens de descoberta a serem feitas e para o relato das viagens já empreendidas. A esfera armilar é de madeira, datada de 1536, e foi feita em Florença por Antonio Santucci. As cinco mesas retangulares, em mármore, são do século XVII. Seu teto em forma de abóboda está decorado com afrescos que representam as sete artes liberais, i.e., Retórica, Dialética, Música, Gramática, Aritmética, Geometria e Astrologia. No portal de entrada, uma inscrição ameaça com a pena da excomunhão todo aquele que retirar um livro ou um objeto da sala. Nas estantes vemos miniaturas do século XIII, encadernações em couro gravadas a ouro, assim como incunábulos de valor literalmente incalculável. Há mil manuscritos em árabe, dois mil e novecentos em latim e línguas vernaculares, setenta e dois em hebreu e quinhentos e oitenta em grego. San Lorenzo de El Escorial, Espanha Fontes: http://www.sanlorenzoescorial.com/monasterio/monasterio.htm Arquitetura – Biblioteca do Trinity College (séculos 16 a 18) 
A Universidade da Irlanda, mais conhecida como Trinity College, foi fundada em 1592 por Elizabeth I. Mantida pela cidade de Dublin, Trinity era para ser uma das academias de Ensino Superior da instituição, mas como nenhuma outra foi estabelecida, os dois nomes acabaram por definir a mesma coisa. De início só eram admitidos alunos anglicanos para os cursos de graduação, mestrado, doutorado, para as congregações de docentes e para a obtenção de bolsas, mas em 1873 todas as exigências religiosas foram eliminadas. É de sua belíssima e muito importante biblioteca que falaremos hoje. Guardiã de iluminuras, manuscritos, códices, in-folios e livros que são parte importante da herança ocidental, ela hoje contém 5 milhões de volumes impressos, inclusive uma impressionante coleção de jornais, mapas, partituras que nos ajudam a percorrer mais de 500 anos do desenvolvimento acadêmico europeu. O prédio original, conhecido como Biblioteca Antiga, localizado no coração de Dublin, leva os visitantes de volta ao século XVIII, quando a maravilhosa edificação estava sendo erguida. 
O salão principal, chamado de Long Room, com quase 65 metros de comprimento, guarda os mais antigos livros do acervo da biblioteca, cerca de 200.000. Quando foi construído, entre 1712 e 1732, as prateleiras ocupavam o andar térreo apenas. Em 1850 essas prateleiras estavam completamente tomadas e em 1860 o telhado foi levantado para permitir a construção de um teto abobadado e de uma galeria com mais prateleiras. Ao longo do salão, estão os bustos de mármore que são uma das características da biblioteca. Coleção iniciada em 1743, inclui bustos de filósofos, escritores ocidentais e de personalidades de algum modo ligadas ao Trinity College, sendo que o mais valioso é o de Jonathan Swift, feito pelo escultor Louis François Roubiliac. Outros tesouros incluem uma das poucas cópias de Proclamação da República da Irlanda, de 1916 e uma harpa irlandesa que é a mais antiga de seu tempo, provavelmente do século XV, feita em carvalho e salgueiro, com 29 cordas. Essa harpa foi o modelo para o emblema da Irlanda. Mas sua maior riqueza é o Livro de Kells (em inglês: Book of Kells; em irlandês: Leabhar Cheanannais), também conhecido como Grande Evangeliário de São Columba, um manuscrito ilustrado com motivos ornamentais, feito por monges celtas por volta do ano 800 a.C, no estilo conhecido por arte insular. Peça principal do cristianismo irlandês, constitui, apesar de não ter sido concluído, um dos mais suntuosos manuscritos iluminados que restaram da Idade Média. Em razão da sua grande beleza e da excelente técnica do seu acabamento, este manuscrito é considerado por muitos especialistas como um dos mais importantes vestígios da arte religiosa medieval. Escrito em latim, o Livro de Kells contém os quatro Evangelhos do Novo Testamento, além de notas preliminares e explicativas, e numerosas ilustrações e iluminuras coloridas. Assim como a Bodleian de Oxford, a biblioteca do Trinity College também tem direito ao depósito legal desde 1801 e continua a receber cópias de todo material impresso no Reino Unido e na Irlanda. Apesar de instituição secular, a biblioteca emprega métodos modernos para facilitar a pesquisa, o aprendizado e o ensino. Dublin, Irlanda Fontes http://www.bookofkells.ie/old-library/ http://www.tcd.ie/Library/ Bibliotecas - Libraria Domini (1452) 
Não vou falar das bibliotecas privadas e pessoais do mundo helênico ou de Roma. Nem sequer das bibliotecas públicas surgidas no Império Romano. Seria impossível em espaço tão curto. Menciono apenas que no século VI, já quase ao final do Classicismo, as duas maiores bibliotecas guardiãs de pergaminhos eram as de Constantinopla e de Alexandria, ambas banhadas pelo Mediterrâneo, sem dúvida o berço de nossa civilização. A primeira biblioteca pública no continente europeu, isto é, a primeira a pertencer à comunidade e estar aberta a qualquer pessoa que ali quisesse estudar, foi a “Libraria Domini”, também conhecida como Biblioteca Malatestina, que fica em Cesena, Itália. Criada pouco antes da invenção da Imprensa, ela encarna o próprio espírito de uma biblioteca humanista. Malatesta Novello, senhor de Cesena, decidiu deixar sua biblioteca como legado à sua cidade, para ser instalada no Convento de São Francisco, que ele ampliou para transformar numa sede digna de sua coleção de manuscritos e códices. A “Libraria Domini” foi terminada de construir em 1452, e é o único exemplo de biblioteca medieval cuja estrutura, mobiliário e acervo ainda subsistem. 
Seu interior, típico da arquitetura italiana daquele tempo, é dividido em três naves demarcadas por fieiras de colunas em pedra branca original de Cesena. A nave central termina num vitral em forma de roseta sob o qual fica o túmulo de Malatesta. Quando ele faleceu, em 1465, foi enterrado no convento. Foi só quando seus restos mortais foram trasladados para a biblioteca que essa deixou de ser chamada de “Libraria Sancti Francisci” para receber o nome de "Libraria Domini". A magnífica porta em nogueira trabalhada é de 1454; o mobiliário consta de 58 escrivaninhas, com brasões esculpidos nas laterais; a luz entra por 44 janelas em estilo veneziano, perfeitamente adaptadas para a leitura. O acervo consta de 340 manuscritos e 48 códices relacionados à religião, clássicos latinos e gregos, tratados de ciências e medicina. Entre esses, parte do mais antigo dos códices, o “Etymologiarum Libri XX”, de Santo Isidoro (560-636 d.C), que versa sobre os mais variados assuntos. Como o nome indica, no total ele escreveu 20 códices; por essa obra ser considerada um verdadeiro banco de dados, Santo Isidoro é chamado de padroeiro dos bons usuários da Internet. O grande mérito de Malatesta Novello, além da doação de seu tesouro à comunidade, lavrada em testamento feito em Veneza, foi a dotação de 100 ducados ao ano para a aquisição de novos livros e para outras despesas; a instituição, desde 1455, de bolsas de estudo para jovens de fora da cidade; e 30 ducados por ano para o professor encarregado de supervisionar os trabalhos. Cesena, Emilia-Romagna, Itália Fontes: http://www.malatestiana.it/ Enciclopedia Melzi  Biblioteca Di Bella Arti, Milan, Italy
 Biblioteca Angelica, Rome, Italy
 Bernadotte Library, Stockholm Sweden
 Beatus Rhenanus Library, Basel, Switzerland
 Abbey Library St. Gallen, Switzerland
 Angelica Library, Rome, Italy |